I'm a dog...

Eu confesso o meu preconceito. Mesmo que eu tente viver limando ao máximo o preconceito, eu tenho que admiti-lo ... eu tenho preconceitos. O meu preconceito? Eu não suporto o cinema dito “arte”. Não que eu ache que os filmes de arte não são bons, pelo contrário são ótimos, no entanto eu odeio as pessoas que fazem filmes no intuito de se colocar acima dos outros, achando que fazer ARTE é se pôr acima do resto. Meu preconceito contra o cinema de arte ( e os amantes do cinema de ARTE) é que eles são preconceituosos, negando tudo que é comercial.
Então chegamos ao Q da questão ... Dogville, o mais novo filme de Lars Von Trier. Esse é o primeiro filme que eu assisto do diretor, que ficou conhecido pelo seu projeto Dogma 95. Projeto esse que ia contra aos fundamentos americanos de fazer filmes. Por preconceito sempre achei que ele fazia isso por fazer, e não por que ele achava que havia fundamentos em seu trabalho. Dogville me provou errado.
A ironia do destino é que Dogville trata justamente sobre isso, o preconceito e o espírito humano. O filme é uma obra de arte moderna, e não há nada no mercado que se iguale a ele. O filme tem uma direção de arte peculiar, não há cenário, tudo parece o teatro com desenhos no chão mostrando os limites das casas da cidade de Dogville. Quanto se abre uma porta, se ouve o barulho mas não se vê a porta em si. Muitos poderão discutir dizendo que é uma afronta aos signos, ou uma desconstrução da estética fílmica. Pra mim é necessário. Tudo nesse filme necessita ser tão transparente quanto a sua mensagem, não se pode haver paredes ou barreiras. Tudo precisa ser mostrado, para que no final ...
Assistir Dogville é descobrir algo em si que a gente não acreditar ter. É um exercício sobre a dor, perda e pena que no final leva o espectador a uma emoção latente dentro de si. É curioso pensar em Dogville logo após ter assistido Elefante. Elefante (2004), de Gus Van Sant, foi um filme que me inquietou pelo fato de eu não acreditar que um ser humano fosse capaz de tal atrocidade. Foi um filme em que as ações dos personagens iam de encontro aos meus valores. Mas quando você assiste Dogville, você mesmo é posto contra seus próprios valores. É uma experiência única.


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