Friday, December 02, 2005

Everybody stay cool this is a robbery...


O filme “O Assalto ao trem Pagador” começa de uma forma muito inusitada quando se trata de um filme de roubo. Começamos com uma imagem de duas bananas de dinamite embaixo dos trilhos de um trem, deixando assim claro que o rouba já vai acontecer. Vemos garrafas de whisky e fios ligados a um “headphone” , que logo mais serão explicados, mas no inicio nada é claro. Roberto Faria consegue assim a atenção do público, principalmente se fomos considerar na época em que foi feito, três anos depois do assalto real que marcou o Rio de Janeiro.
Ouve-se uma música muito tensa no fundo, remetendo o espectador aos clichês dos filmes de roubos. Pessoas misteriosas e armadas aparecem, uma delas levanta um pano branco e sinaliza a chegada do trem. Uma mão gira o detonador e aparecem os créditos iniciais com a explosão. Uma legenda logo abaixo do titulo explica que os eventos são fictícios, porém baseado em uma historia real. Os homens de mascara roubam o banco e fogem, deixando um refém fugir e uma maleta cheia de dinheiro. A música começa a ter características nacionais e o roubo acaba, deixando o espectador na dúvida : “O filme não era sobre o assalto ao trem pagador?”.
Depois desse inicio arrebatador, o filme se concentra nas relações entre os bandidos e os seus problemas sociais. A música muda também, tendo características mais tribais e sambistas. A relação de Tião e seu amigo Tonho é mostrada de forma muito curiosa, em uma briga falsa. Vemos Tião que se preocupa em guardar o dinheiro para seus filhos, Tonho que comprar seu caminhão e trabalhar. Edgar vive uma crise com a mulher que não quer o dinheiro e Grilo quer virar “playboy” e enquanto Cachaça quer beber os seus problemas.
O filme vira um drama social, onde o que está em jogo não é o dinheiro, e sim a saída da miséria. É nesse ponto que Roberto Farias acerta em cheio, não temos um apelo piegas e cheio de clichês. O melhor exemplo é Tião, um homem conhecido e temido pela violência, no entanto é um bom pai e um ótimo marido, mas que tem duas mulheres. Tião se preocupa com os outros, tenta ajudar. Ele é um “bandido social”, pois o seu banditismo foi criado pelo meio.
A partir daí o filme também é um exercício na tenção da ganância. Os assaltantes fizeram um pacto em que não se poderia gastar mais de dez por cento do dinheiro.Cachaça, o excelente personagem de Grande Otelo, pergunta o quanto é seu dez por cento, mostrando assim o problema da educação , que aumenta ainda mais o problema social. Em uma cena de estourar a cabeça vemos o bando se reunindo para realizar outro assalto. A edição que para em certos momentos em “stills” é incrível se considerarmos a época em que foi um feito muito inovador.
Contudo, Mesmo gastando dinheiro em carros usados, brinquedos e outras formas de tentar melhorar a situação caótica em que viviam, o personagem que quebra o pacto é o personagem de Grilo (Reginaldo Faria -irmão do diretor-) o único que não mora na favela.. Ele tenta comprar seu passaporte para a vida nobre. Tião ao descobrir que Grilo quebrou o pacto e que ele era a mente por trás dos assaltos resolve captura-lo e planeja a sua morte. Mas antes de concretiza-la Grilo tem um excelente discurso aonde surge a tona o problema racial.

“Eu não nasci para favela não, Tião! Vocês vão me matar é por isso.... não porque eu desrespeitei o pacto não... é porque eu tenho cara de ter carro... você tem inveja da minha inteligência, do meu cabelo loiro, do meu olho azul, (...) você é feio, sujo, fedorento. Não, Tião, seu destino é viver na favela, o seu e o de sua família, e ter dinheiro não vai mudar isso. Você tem dinheiro e não pode gastar Tião, a sua inveja está é aí. Eu tenho cara de ter carro. Você? Você, tem cara de macaco! Macaco!”

Tião vê que está em um beco sem saída, ele não pode fugir daquele mundo, além de não ter estudado e ser pobre ele era negro. Tião com raiva mata Grilo e o joga no ria para que os peixes comam seus olhos azuis. O filme termina mostrando a falta de saída ao povo que vive na margem da miséria. A última cena é simplesmente sublime. Zulmira , mulher de Tião, não agüentado a pressão da policia , mostra onde está o dinheiro. O olhar de felicidade de Jorge Doria machuca o espectador. Zulmira que perdeu o marido e agora não tem mais dinheiro parte com seus filhos para o nada, pois é isso que a espera o nada.

A long, long time ago...


Assistir às duas trilogias de Star Wars é curioso, não só pelos filmes em si mas na mudança que ocorreu na brecha em que separa “O Retorno Do Jedi” e “A Vingança Dos Siths”. Durante esse tempo Lucas ficou parado na direção de filmes e desenvolveu ao máximo a sua equipe da INDUSTRIA Light Magic. Praticamente todos os filmes de grandes efeitos foram feitos pela ILM. Depois de quase trinta anos George volta pra contar a historia do pai de Luke Skywalker, Anakin, o futuro Darth Vader.
A tecnologia hoje proporciona ao diretor a opção de fazer praticamente tudo. E Lucas, melhor que ninguém, está apto a fazer tais maravilhas. Para começar ele e o dono da patente da mais nova câmera digital de super definicao. Sendo o dono da maior empresa de efeitos para o cinema, Lucas sabe de todos os passos prévios que se deve tomar antes de realizar o filme. No DVD do filme temos um documentário muito curioso, "Within A Minute", e nele é mostrado para o público todos as pessoas que estavam envolvidas na produção da cena "Duelo em Mustafar", aonde há o confronto derradeiro de Obi-Wan e Anakin. O documentário e dividido nas várias partes que estão envolvidas no projeto, começando em ordem cronológica de produção. Começamos com o roteiro de Lucas, e logo depois vemos a equipe artística entrando em ação para criar os cenários e cenas em pre-visualização, para que o resto possa acontecer. Vamos para Equipe Técnica, Produção, Produção de Design, Construção, Props, Maquiagem, Fotografia, Som, Edição, ILM Productions, Pos-Iluminação.
O documentário faz uma sinopse simples e contundente para que os leigos entendam e principalmente que eles aprendam. No entanto, o importante aqui e mostrar que a realização disso tudo e possível, no entanto se não for bem planejado pode sair bem mais caro. Lucas como sabe desses problemas, já no contrato com os atores faz um acordo que diz que eles estão comprometidos a voltar e realizar cenas adicionais.
Um DVD que vale a pena...

Thursday, December 01, 2005

Do not play with fire...


Chega aos cinemas o quarto filme de Harry Potter. Em escalada sempre ascendente, os filmes do bruxinho melhoram a cada passo dado. Nos primeiros, com a direção fraquíssima de Columbs, Harry era um personagem fraco e sem garra, sem falar na atuação parada de Redcliffe. O tempo passou, outros diretores entraram na parada e chegamos na metade do caminho. Redcliffe está confiante e pela primeira vez ele parece SER Harry Potter. A direção melhora na mão de Mike Newel , mesmo não tendo a garra de Cuarón. Mas o filme é definitivamente o melhor até agora.
Os livros de J.K. Rowling estão aumentando em volume, o que complica a adaptação para cinema de filmes infantis que raramente chegam a ter mais de duas horas e meia. Isso já se repara nesse "Cálice de Fogo", informações são dadas a cada segundo, fazendo com que o filme fique meio cansativo. Novos personagens entram em cena, alguns deles muito interessantes mas pouco exploradas por falta de tempo. O que é uma pena, personagens como Sirius Black são deixados de lado.
A cada ano que se passa Harry cresce mais como Bruxo, o que é legal, pois ela já está podendo se defender e criar uma imagem forte de herói. Harry, antes era criança e era defendido mais do se defender. Mas agora ele pode sangrar e brigar... e agora que um ser-que-não-se-deve-ser-pronunciado está voltando... é só esperar o quinto, com um Redcliffe mais a vontade ainda e mais sangue...