I'm still a dog...

O ser humano é cruel e misterioso. Essa foi a frase que eu fiquei me repetindo após assistir ao filme de Gus van Sant, “Elefante”. O filme é baseado em fatos reais que ocorreram em um colégio americano. O massacre de Columbine não é informação nova, foi o assunto predileto da mídia no ano que ocorreu, foi o divisor de águas do premiado filme de Michael Moore (Tiros Em Columbine) e até hoje é lembrado em filmes menores. Por que então eu achei esse filme tão assustador? Eu sabia o que ia acontecer, no entanto tudo foi surpreendente.
Ao me recordar do documentário de Michael Moore, eu lembro da agonia e a sensação de mal estar de ver as câmeras de segurança mostrando o massacre. Os alunos escondidos embaixo das mesas ao som das pessoas ligando dos celulares pedindo ajuda. Aquela cena é forte e sinceramente a “melhor” do documentário de Moore. No entanto o documentário de Moore é mais uma analise da paixão dos americanos por armas. A questão Columbine era mais um de seus pontos.
O filme “Elefante” não é fácil, ele é voltado a um cinema mais erudito,ou seja ele é voltado para Cannes e não para o Oscar. Os planos são longuíssimos, e poucos cortes. No entanto a parte mais difícil desse filme é virar a testemunha do crime. Os planos longos, geralmente seguindo algum personagem, remetem o espectador a um elo com aqueles seres que estão prestes a morrer. O nosso olhar já não é mais de lazer e sim o olho que a gente quer fechar mas não consegue porque está ali ... bem em nossa frente.
O filme de Van Sant é sem dúvida agonizante, pois ele não traz uma resposta e muito menos uma causa. O que leva aqueles meninos a cometerem tal barbaridade? O que fazer para que isso não ocorra novamente? São perguntas que Gus e ninguém sabem responder, mas são levantadas ao longo do filme. Matar alguém é algo tão forte, é a pior coisa do mundo. Como tirar algo de alguém, sem ter a possibilidade de dar-lhe novamente. O que leva uma pessoa acabar com a vida do outro sem motivo algum?Elefante é um daqueles filmes que você não quer mais pensar sobre. É aquele filme que você quer esquecer que viu. Pois ele nos remete demais para a nossa triste realidade, aonde a vida do próximo vale menos que o desdém do tédio humano.


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