Good night, and good luck...

Quando George Clooney assinou a direção de "Confissões de uma mente perigosa" ele surpreendeu a todos com uma abordagem criativa da narrativa. Clooney manteve a mão firme e fez um filme com uma direção ousada (usando dois cenários ao mesmo tempo), tema curioso (o possível envolvimento de Chuck Barris no crime organizado) e uma direção de elenco primorosa. Ingredientes que ele aprimora no seu novo filme "Boa Noite, e Boa Sorte" sobre a batalha de Edward Murrow contra o senador, "caçador de comunistas", Joseph McCarthy . O filme tem a mistura dos bastidores de "Rede de Intrigas", a seriedade de "Julgamento em Norenbergue" e os diálogos de "12 Homens e uma sentença". Assim como em Confissões, Clooney conta com um personagem carismático e intrigante. O ótimo David Strathairn interpreta com maestria o jornalista e apresentador Murrow, que lutou em rede nacional americana contra à caça das bruxas que aconteceu nos EUA liderada pelo senador Joseph McCarthy . É impossível não ouvir o personagem, ele parece estar falando direta e exclusivamente com você, e é exatamente nesse ponto o maior mérito do filme. O dogma filme X espectador é quebrado. Muitas vezes olhando pra tela, Murrow parece encontrar os defeitos do espectador, fazendo-o refletir sobre o tema. Em determinada cena do filme Edward inclui o público no filme ao dizer "não vamos cair no medo de um ao outro". Sem ao menos saber, o espectador esquece a diegese do filme e se vê em uma situação muito real e atual, principalmente o público americano e suas abordagens sensacionalista mundo.
Como em "A Lista De Schindler" e "Doze Homens e Uma Sentença" a fotografia em preto e branco serve para evitar a felicidade e a distração que as cores carregam. Os temas abordados, o papel da tv e a responsabilidade dela para com a nação entre outros, não são em si colorido, mas sombrios e com tons de cinza.
Com uma direção segura, um elenco de suporte maravilhoso (Robert Downey Jr., Jeff Daniels, Patricia Clarkson, o próprio Clooney e o ótimo Frank Langella) e um "frontman" estupendo nas mãos de Strathairn, Clooney garante o filme mais espetacular do ano. Sem cenas pitorescas como “Memórias de Uma Gueixa”, sem a sensibilidade de “Brokeback Mountain”, sem a ação de “Munique” Clooney nos entrega um filme cujo poder está nas palavras e como elas são capazes de mudar uma pessoa e uma nação.


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