Friday, February 24, 2006

I rather be lucky then good...


Woody Allen faz em "Match Point"um filme completamente diferente de tudo que já realizou. O roteirista/diretor/produtor, conhecido por seu humor genial, troca a sua cidade predileta, Nova York, por Londres e entrega ao espectador um suspense de primeira. O filme abre com um plano fixo de uma rede de tênis com uma bola indo de um lado ao outro em "slow-motion". Quando a voz em off do protagonista entra e diz "eu prefiro ser sortudo do que bom", os espectadores sabem que eles estão diante de uma obra de um gênio. A cena termina com a bola parando no ar após tocar na rede, não deixando claro pra que lado ela vai cair. Esse plano abre um parêntese, que só vai se fechar ao final do mesmo. Durante o longa vemos a luta de Chris (Jonathan Rhys-Myres), ex-jogador de tênis, para conseguir subir na vida socialmente. Ao ensinar tênis à Tom (Matthew Goode), ele vê a oportunidade de conhecer a alta sociedade, e talvez fazer parte dela. Quando a irmã de Tom (Emily Mortimer) começa a gostar dele, os seus planos começam a dar resultado. Até ele conhecer Nola Rice (Scarlett Johansson), uma americana que por ironia do destino era a noiva de Tom. Chris agora tem que lutar para conseguir seus desejos (dinheiro, casa, prestigio) e realizar seus sonhos de luxuria.
Com uma premissa como essa nas mãos de Woody Allen, o espectador mais inocente deve esperar um filme "cult" que no mínimo seja engraçado. No entanto, essa carta funciona maravilhosamente em "Match Point". Por não esperar um suspense (estamos falando de Woody Allen), o filme surpreende em quase todos os aspectos. Diferente de "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa" a abordagem romântica do filme tende a mostrar as verdadeiras cores do protagonista. Ao longo do filme Allen não escorrega ao mostrar a personalidade de Chris, mostrando que ele é capaz de tudo para chegar no topo, e que a pessoa que ele ama de verdade não é Nola e muito menos Chloe e sim ele mesmo.
A trilha sonora é um show à parte. Conduzida por mestres e com sucessos da ópera, as músicas dão ao filme a densidade necessária e ao mesmo tempo elevando o seu patamar de elegância.Um detalhe simples, que no entanto não deixa de ser original, é que a trilha toda é dotada de ruídos que se assemelham aos ruídos produzidos pelas antigas vitrolas. Detalhe que dá a suavidade que só se pode ser comparada ao gosto espetacular de vinhos de boa safra.
Quando se chega ao final do filme, aquela imagem inicial em "still" da bola de tênis ainda está fresca na mente do espectador, que espera e demanda a sua conclusão. Quando o parêntese se fecha, não resta nada ao espectador a não ser ficar completamente embriagado pela condução da linha narrativa de Allen. Ele fala em entrevistas que esse é seu melhor filme. Algo difícil de aceitar, quando se trata de um homem que tem em seu currículo filmes como "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa", "Zelig", "A Rosa Púrpura Do Cairo", "Poucas E Boas", "Interiores", "O Dorminhoco" e etc, mas talvez ele tenha razão...

1 Comments:

At 2:48 AM, Anonymous Anonymous said...

Oi...cheguei aqui através do orkut...mto bacana seu blog e suas críticas...n vi mtos filmes ainda esse ano, mas acho que aqui já tem umas boas dicas...
beijus
ps: vou aparecer mais vezes

 

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