Monday, November 28, 2005

DOUBLE VA FA NAPOLE!!!!



Eu não sei qual é o problema do Brasil. Enquanto todo mundo tenta lutar pela igualdade racial, o preconceito aparece na Tv e a gente aplaude. Uma das poucas alternativas aos programas ridículos e patéticos de domingo é o "Pânico na Tv", que não é lá grandes coisas mas é mil vezes melhor que a concorrência. O humor de Vesgo e Silvio é chato! Eles são pentelhos, e gosta quem quer... Gugu também é chato e ninguém fala nada. A dupla realmente enche o saco das celebridades, faz piadas de bom gosto outras nem tanto. Porém está se tornando de praxe que as celebridades percam as estribeiras e partam para ignorância. O humor deles não é feito pra machucar, assim como South Park, é feito pra esculhambar!
Chegamos ao que me incomoda bastante. Temos esse NETINHO, rapaz negro que saiu da pobreza e ficou rico. Ótimo pra ele. Mas em nenhum momento nessa trajetória ele virou justiceiro impune da lei... ou será que sim... ele agride fã e diz que fez com orgulho. Bate na mulher por dinheiro. E bate no humorista e diz que bateria de novo... Parece que eu estava errado, ele é o justiceiro impune da lei.
O problema é que ele é negro, e se defender atrás da pele escura é fácil. Antes que vocês vão me chamando de racista leia com atenção. Vesgo fez um trocadilho com a palavra canal e anus, ele "abriu o canal". Logo depois disso, Netinho fecha a cara e diz pra Vesgo se calar, o repórter dá as costas ao apresentador que lhe dá um murro e diz que isso é festa de negão. Pura invenção pra se esconder atrás de um tema que é tabu: o negro no Brasil.

NETINHO VA FA NAPOLE!!!!! Festa de negão que branco "playboy" branco não pode entrar!
VC é asqueroso. Violência é inadimissivel. Racismo de negros para com os brancos também é crime. Ele podia te xingar todo, você não tinha o direito de fazer isso. RACISTA. Esse homem BATEU na própria mulher por dinheiro!!! DINHEIRO!!!! BRUTO! COVARDE!!!
A questão é, Netinho fala pra uma gama maior de pessoas e vai influenciar-las a pensar tudo errado. VC DEVIA SER CENSURADO, você não tem o direito de enganar as pessoas. Quem é você?
Só espero que isso tudo, algum dia, venha de volta. RACISTA!

Respeito se dá a todos!
Admiração a quem merece!

PARABÉNS galera do Pânico que podia ter feito uma matéria muito sensacionalista mas mostrou os dois lados querendo amenizar as coisas. É isso aí! Minha fidelidade e admiração vocês ganharam.

From space, to save earth...


Quando se está diante do palco em que o Flaming Lips vai tocar, só se pode esperar uma coisa... O MAIOR SHOW DA SUA VIDA. Eu particularmente não sou grande conhecedor das músicas da banda e não sou FÃ, no entanto eles guardam um lugar especial em mim pois eles reconhecem que o público paga o ingresso pra ver um show, e não ouvir música. Nesse sentido não há outra banda pra competir com a criatividade do trio. O Show conta com uma iluminação caprichada, com telão com vídeos e letras. O show abre com uma decida do espaço do vocalista e pessoas fantasiadas de bichinhos de pelúcia. Durante o show confetes e bolas são jogados ao ar em clima de cerimônia da vida e do ROCK. Lindo... shows assim são para que a gente paga o ingresso CARO, e sai sorrindo.

Monday, November 21, 2005

Working like a clock...


Algumas vezes não reparamos na importância que uma obra audiovisual pode ter. Quando pensamos em “O Sexto Sentido” lembramos do final perturbador, e aqueles que sabem um pouco mais de cinema pensam como uma obra relativamente barata lucrou horrores. A importância do filme de M. Night ainda deve ser debatida muito no cenário artístico, pois a quantidade de roteiros que bebem em sua fonte é notável. A estética de filme que assusta mas não mostra, foi tão usada que aqueles que agora estão mostrando a violência estão voltando a fazer sucesso (vide Jogos Mortais I e II). Essa estética abordada em “Sexto Sentido” não era inovação e sim recriação, não foi à toa as comparações feitas entre Shyamalan e Hitchcock. O mestre do suspense nunca foi de mostrar a violência graficamente, e sim com sutileza e elegância.
Shyamalan em 1999 inovou no roteiro, a compreensão da linha narrativa do roteiro só se dava ao termino do filme. Nada fazia muito sentido, muitas perguntas poucas respostas. Uma idéia também já utilizada antes, mas sem o apelo comercial intrínseco no indiano. .E foi assim que esse diretor iniciante mudou Hollywood. O suspense nunca mais foi o mesmo, pro bem ou pro mal.
Hei que chegamos em Brian Andersone o seu “O Operário”. O filme conseguiu certo sucesso no público independente, principalmente pela atuação de Christian Bale, ator “indie” que perdeu cerca de trinta quilos pra fazer o papel de Trevor. A obra conta com um roteiro bem elaborado, que como “Sexto Sentido” só faz sentido no final. No entanto as semelhanças com o filme de 99 não param por ai, a trilha sonora de ambos são inspiradas nos sucessos de Herrmann e sua parceria com o Mestre do Suspense.
O curioso sobre o filme é que as perguntas são levantadas a cada minuto, sempre por truques de montagem, sem nunca ir ao obvio e levantar perguntas oralmente. A cena inicial mostra o magérrimo e machucado Trevor (Bale) enrolando um corpo e jogando-o no mar, mas ele é flagrado por um homem segurando uma lanterna amarela. Corta para Trevor lavando as mãos e perto dele a mesma lanterna amarela. E preso em sua geladeira um bilhete amarelo escrito “Quem é você?”. O que ele fez? Matou? Bateu? Quem botou aquele bilhete? A pergunta é levantada acreditando que o público é inteligente (o que é de se convir não acontece sempre) e vai deduzir suas respostas. A cena corta novamente para o protagonista em momento de prazer com uma mulher. As marcas em seu rosto somem e descobrimos que ele não dorme há um ano, e o público se indaga, o filme voltou alguns dias... ou será que ele pulou algumas semanas? E Porque ele não dorme?
O filme começa então a ser todo linear. As cenas são sempre adicionais, não diria que é uma montagem “Einsentaniana”, mas é uma montagem adicional, pois cada cena subseqüente vem para complementar a anterior. Ao longo do filme vemos um jogo da velha com seis espaços vazios que ao decorrer do tempo vão se preenchendo e as últimas duas letras __ __ __ __ E R aparecem. Isso confunde o espectador que sabe que há vários nomes que entram ali: TUCKER, MILLER, TREVOR, KILLER e etc.
Em determinada cena do filme Trevor tira uma foto de Marie, a garçonete boa praça, e seu filho, mas antes de apertar o botão ele olha para aquela cena com uma sensação de deja vu . Logo depois ele leva o garoto para a casa dos horrores. Enquanto Trevor sofre por ver imagens que lhe remetem a sua vida, Nicholas sofre algum tipo de ataque. Ao sair do brinquedo vemos uma imagem sem áudio. Isso intensifica uma cena que aparentemente você não compreende. Ao chegar na casa dela, Trevor vê na geladeira um desenho e a palavra MOTHER, que preencheria os espaços dos bilhetes anônimos. Ao correr pra casa confuso ele pega um álbum de fotos antigos e vê a mesma cena da foto que tirou de Marie e seu filho.
Há poucos fades no filme e muitos truques de edição. O atropelo de Nicholas é todo feito em edição, nunca colocando o menino em perigo. Já cena em que Trevor é atropelado apela para o efeito especial, o que é uma pena para um filme que mostrava que se podia fazer essa mesma de outros jeitos.
O filme no final não decepciona, é competente e sólido mas fraco no que parecia ser o seu melhor; o roteiro. O desenrolar da historia desde o inicio só podia apontar para um final, deixando só a curiosidade de saber o que exatamente aconteceu. A montagem se mostra uma das melhores coisas do filme. É muito curioso ver um filme que não tem medo de se apoiar na edição e fazer um filme honesto. Mas fica aqui registrado que o filme é mesmo de Christian Bale, não só porque perdeu esse peso absurdo, mas por dar vida a um personagem tão bizarro e cheio de tiques.

Friday, November 18, 2005

TOP 5 MUSIC 2005...


Chegamos ao final de mais um ano... e esse foi especial por um motivo ... E esse motivo (ela sabe quem é) me fez pensar sobre meu gosto musical, e foi a pessoa mais influente do ano para mim... Aqui está o Top 5 Cds lançados nesse ano de 2005...

5º Lugar - Los Hermanos "4" - A banda carioca não precisa se esforçar muito para lançar um cd competente. De longe a melhor banda nacional, dividindo o pódio com os gaúchos Cachorro Grande, Los Hermanos lançam um CD que de primeira vista incomoda. O Cd não conta com aquelas músicas carnavalescas características dos outros CDs (o maravilhoso "Bloco Do Eu Sozinho" e a obra-prima "Ventura") mas a mudança para a bossa nova só faz mostrar o potencial dessa banda que vem mostrado que se pode representar o Brasil de forma inovadora e criativa.
Ponto Alto: Horizonte Distante

4º Lugar - Oasis "Don´t Believe The Truth"
- O novo Cd do Oasis não tem muitas novidades, o ritimo clássico ainda está lá. Ouvimos um pouco mais de Noel, e menos de Liam... Mas a competência da banda continua intacta...
Ponto Alto: The Importance Of Being Idle

3º Lugar- Foo Fighters "In Your Honor" - Finalmente uma banda de rock mais pesado que conseguiu abraçar tanto a crítica quanto ao público. Dave Ghrol é o cara, e ele faz isso transbordar em seus CDs. In Your Honor mostra o amadurecimento continuo do Foo Fighters e mostra uma banda mais segura e montada. O cd acústico é um bônus, mas a atração mesmo é o Cd original...
Ponto Alto: DOA

2º Lugar - White Stripes "Get Behind Me Satan" - O que se falar dos White Stripes. Os irmãos White são incríveis. O novo CD é forte, gostoso e criativo como sempre. Jack é hoje o maior front man, ele não é só bom, ele é generoso e sabe que o público pagou pra ver um SHOW, e não ouvir música...
Ponto Alto: Blue Orchid, My Doorbell , Forever For Her (Is Over For Me) , Little Ghost , The Denial Twist, Passive Manipulation, As Ugly As I Seem, I'm Lonely (But I Ain't That Lonely Yet)


1º Lugar - Franz Ferdinand "You Could Have It So Much Better" - CD brilhante e hype. Franz bebe muito da fonte dos Strokes, mas isso não diminui o seu poder de fazer você balançar o traseiro e querer pular. Músicas legais com ritimo frenético e modernoso e referências a toda hora (Strokes, Beatles e etc...)
Ponto Alto: The Fallen e Do You Want To

Thursday, November 17, 2005

How you doin' ...


O troféu "how you doin´" vai para as pessoas que merecem uma boa salva de palmas em pé. Essa semana vai para o ator baiano Wagner Moura. Wagner já tinha mostrado seu potencial em outros filmes com papéis menores, no entanto ele rouba o show em Cidade Baixa. Não desmerecendo Lazaro e Alice, companheiros de tela que também estão ótimos, mas Wagner está simplesmente à vontade no filme. Suas cenas nervosas (roubando a farmácia e brigando com José Doumont) e em cenas de pura interpretação facial (quando Alice lhe revela que está grávida) são sublimes, puras e verdadeiras. A Bahia mostra o seu talento, sem recorrer aos seus clichês...

Va Fa Napole...

O "Va Fa Napole" é o troféu que eu vou dar a quem merece uma grande vaia que no caso essa semana vai para a locadora GPW. Era mais de dez horas da noite e me bateu aquela velha vontade de comprar um DVD novinho... o alvo: "A Fantástica Fábrica de Chocolate". Saí para a GPW, o único lugar que venderia tal DVD naquele horário absurdo... Ao chegar lá encontro o filme ... e aquele o sorriso se abre, no entanto vejo o preço ... o sorriso some. 79 Reais em um DVD!!!!!! Perguntei a um dos funcionários o porque do preço abusivo, a resposta "É caro assim mesmo". Deixei o DVD lá (o que é raro de acontecer) e esperei o próximo dia (mais raro ainda). Comprei o filme nas Americanas por 49,99 e sai feliz da vida.
Fiquei muito decepcionado com a locadora ,no entanto fica aqui a minha consideração de respeito a instituição que é a GPW. O único lugar que se pode encontrar bons DVDs. Só precisa maneirar o preço em certos DVDs...

Wednesday, November 16, 2005

The importance of being good...


O novo clipe do Oasis, “Importance Of Being Idle”, é uma verdadeira obra prima. É uma pena que esse tipo de arte audiovisual fica restrita a exibições na MTV. O single do CD "Don't Believe The Truth", cantada por Noel Gallagher é bastante grudenta e conta com aquele estilo já conhecido do Oásis.
O clipe é estrelado por Ryhs Ifans (sempre lembrado como Spike, o maior rouba cena de Notting Hill). O video é feito como se fosse um curta metragem, tem titulo inicial no começo e um “FIM” no fim. A fotografia em preto&branco está linda e a coreografia é esplêndida. Ifans nunca esteve tão perfeito em um papel. A simplicidade da historia e do videoclipe é fenomenal, sem algum recurso sofisticado de edição ou efeito especial, o Oasis consegue fazer uma obra surpreendente e fenomenal. É uma pena que Noel e Liam fazem tão difícil a gente ADORAR eles...

Tuesday, November 15, 2005

Don´t take my sunshine away...


O que faz você amar alguém? O quão forte é o amor? Será que há alguém na nossa vida no qual nos TEMOS que nos apaixonar? Será que é o destino ter uma alma gêmea?
Essas perguntas são levantadas em “Brilho Eterno”. O novo filme roteirizado pelo sempre criativo Charlie Kauffman, O roteirista responsável pelos excelentes “Quero Ser John Malkcovich”, “Adaptação” e “Confissões De Uma Mente Perigosa”. Como sempre Kauffman conta uma historia com um tom bizarro, mas com um pé na realidade.
Brilho Eterno é uma ode ao amor. Esqueça as comédias românticas, esqueça os romances de novela. O amor aqui vem do âmago, vem da vida. Um amor cheio de problemas. Não temos na história um vilão que compete com Joel pelo amor de Clementine. O vilão do filme é a vida.
Jim Carrey é Joel, um homem reservado e calado que se apaixona por Clementine, interpretada por Kate Winslet. Depois de anos juntos Joel descobre que depois de uma briga séria, Clementine resolve apaga-lo da memória dela. Joel por vingança decide fazer o mesmo. Quando ele dorme é realizado nele a operação de apagar a memória, a historia da paixão deles começa. Joel, a principio adora ver sua memória sendo apagadas, mas ao passar do tempo ele começa a se lembrar por que ele amou aquela mulher. Começa então a odisséia intelectual de Joel, que busca em sua própria memória um jeito de guardar aquela mulher, aquela lembrança.Por que Brilho Eterno é tão bom? Tentando não usar clichês, eu vou usar o maior clichê de todos os tempos. Brilho Eterno é como o amor, não se expressa em palavras. Um amigo meu disse que queria alugar esse filme, pois se identifica com o personagem e que ele queria também apagar a sua ex da memória. No entanto o filme não é sobre perda, e sim sobre ganhar. Para aqueles que acham que o copo sempre está meio vazio, eu recomendo que assistam a esse filme. Depois dele você sempre vai achar que o copo está meio cheio. E isso é uma mudança drástica.

Monday, November 14, 2005

Life is good...


A inocência morreu em Hollywood e eu não digo a inocência enfadonha das comédias românticas, eu digo aquela parte em nos que é pura, sem cinismo. Hoje o que importa é a realidade e a brutalidade. Apesar de alguns filmes e diretores que tentam resgatar essa inocência, a triste realidade é que a inocência morreu, até os desenhos mudaram. Garry Ross é hoje um dos únicos diretores que levanta essa bandeira, com filmes como “Quero Ser Grande”, “A Vida Em Preto E Branco” ou “Alma De Herói”. Acho que hoje se achar bons filmes com essa qualidade é difícil, devido ao mundo cínico em que vivemos, aonde a guerra é sempre “aqui perto”.
Hoje meu irmão de 9 anos veio me pedir pra assistir “A Noiva De Chucky”. Eu olhei pra minha coleção de DVDs que inclui clássicos como “Rei Leão” e “A Bela E A Fera” ... eu quase chorei. Nessa época de violência, nem mesmo as crianças tem direito à inocência. Eu não sou daqueles que gosta de falar “Ah, nos meus velhos tempos ...”. Mas essa frase é perfeita hoje. A violência não é algo novo, está na mídia a anos. Mas atualmente, programas com valores e mensagens são deixados de lado para que a gente se contente com a brutalidade. A violência é muitas vezes necessária para se contar algumas histórias, mas não todas.
Eu falo tudo isso, pois a inocência é a primeira palavra que vem em minha mente quando eu penso em “A Felicidade Não Se Compra” de Frank Capra. O filme é uma obra de ingenuidade e de alegria, que não se encontra em filmes atualmente. O filme é um trabalho de roteiro que nos leva cada estágio da decadência financeira e emocional do herói George Bailey. Vemos a miséria que o personagem passa cada ano de sua vida. E se fosse feito hoje em dia George Bailey se mataria, sua mulher se prostituiria e seus filhos acabariam viciados em drogas.
Hoje é dia 13 de novembro de 2005, faltam alguns dias pro natal. A minha mensagem é; um dia desses (perto do natal) alugue “A Felicidade Não Se Compra” e assista com alguém, ou até mesmo sozinho e deixe o trabalho de viver a cargo de James Stewart e Donna Reed. Esqueça que você está em um mundo cínico e egoísta, cheio de miséria e morte. Porque, apesar disso tudo A VIDA É MARAVILHOSA, e não deixe ninguém lhe dizer o contrario.

I'm still a dog...



O ser humano é cruel e misterioso. Essa foi a frase que eu fiquei me repetindo após assistir ao filme de Gus van Sant, “Elefante”. O filme é baseado em fatos reais que ocorreram em um colégio americano. O massacre de Columbine não é informação nova, foi o assunto predileto da mídia no ano que ocorreu, foi o divisor de águas do premiado filme de Michael Moore (Tiros Em Columbine) e até hoje é lembrado em filmes menores. Por que então eu achei esse filme tão assustador? Eu sabia o que ia acontecer, no entanto tudo foi surpreendente.
Ao me recordar do documentário de Michael Moore, eu lembro da agonia e a sensação de mal estar de ver as câmeras de segurança mostrando o massacre. Os alunos escondidos embaixo das mesas ao som das pessoas ligando dos celulares pedindo ajuda. Aquela cena é forte e sinceramente a “melhor” do documentário de Moore. No entanto o documentário de Moore é mais uma analise da paixão dos americanos por armas. A questão Columbine era mais um de seus pontos.
O filme “Elefante” não é fácil, ele é voltado a um cinema mais erudito,ou seja ele é voltado para Cannes e não para o Oscar. Os planos são longuíssimos, e poucos cortes. No entanto a parte mais difícil desse filme é virar a testemunha do crime. Os planos longos, geralmente seguindo algum personagem, remetem o espectador a um elo com aqueles seres que estão prestes a morrer. O nosso olhar já não é mais de lazer e sim o olho que a gente quer fechar mas não consegue porque está ali ... bem em nossa frente.
O filme de Van Sant é sem dúvida agonizante, pois ele não traz uma resposta e muito menos uma causa. O que leva aqueles meninos a cometerem tal barbaridade? O que fazer para que isso não ocorra novamente? São perguntas que Gus e ninguém sabem responder, mas são levantadas ao longo do filme. Matar alguém é algo tão forte, é a pior coisa do mundo. Como tirar algo de alguém, sem ter a possibilidade de dar-lhe novamente. O que leva uma pessoa acabar com a vida do outro sem motivo algum?Elefante é um daqueles filmes que você não quer mais pensar sobre. É aquele filme que você quer esquecer que viu. Pois ele nos remete demais para a nossa triste realidade, aonde a vida do próximo vale menos que o desdém do tédio humano.

Sunday, November 13, 2005

I'm a dog...


Eu confesso o meu preconceito. Mesmo que eu tente viver limando ao máximo o preconceito, eu tenho que admiti-lo ... eu tenho preconceitos. O meu preconceito? Eu não suporto o cinema dito “arte”. Não que eu ache que os filmes de arte não são bons, pelo contrário são ótimos, no entanto eu odeio as pessoas que fazem filmes no intuito de se colocar acima dos outros, achando que fazer ARTE é se pôr acima do resto. Meu preconceito contra o cinema de arte ( e os amantes do cinema de ARTE) é que eles são preconceituosos, negando tudo que é comercial.
Então chegamos ao Q da questão ... Dogville, o mais novo filme de Lars Von Trier. Esse é o primeiro filme que eu assisto do diretor, que ficou conhecido pelo seu projeto Dogma 95. Projeto esse que ia contra aos fundamentos americanos de fazer filmes. Por preconceito sempre achei que ele fazia isso por fazer, e não por que ele achava que havia fundamentos em seu trabalho. Dogville me provou errado.
A ironia do destino é que Dogville trata justamente sobre isso, o preconceito e o espírito humano. O filme é uma obra de arte moderna, e não há nada no mercado que se iguale a ele. O filme tem uma direção de arte peculiar, não há cenário, tudo parece o teatro com desenhos no chão mostrando os limites das casas da cidade de Dogville. Quanto se abre uma porta, se ouve o barulho mas não se vê a porta em si. Muitos poderão discutir dizendo que é uma afronta aos signos, ou uma desconstrução da estética fílmica. Pra mim é necessário. Tudo nesse filme necessita ser tão transparente quanto a sua mensagem, não se pode haver paredes ou barreiras. Tudo precisa ser mostrado, para que no final ...
Assistir Dogville é descobrir algo em si que a gente não acreditar ter. É um exercício sobre a dor, perda e pena que no final leva o espectador a uma emoção latente dentro de si. É curioso pensar em Dogville logo após ter assistido Elefante. Elefante (2004), de Gus Van Sant, foi um filme que me inquietou pelo fato de eu não acreditar que um ser humano fosse capaz de tal atrocidade. Foi um filme em que as ações dos personagens iam de encontro aos meus valores. Mas quando você assiste Dogville, você mesmo é posto contra seus próprios valores. É uma experiência única.

It's not easy being in a Rock'n'Roll band


Chega esse mês o documentário "End Of The Century" que conta a história dos Ramones. O filme mostra como a banda revolucionou o cenário musical mundial, com um som pesado e
rápido. A banda influênciou bandas como Sex Pistols e The Clash, que por ironia do destino são muitas vezes intitulados os inventores do Punk. O filme mostra os problemas que uma banda underground passa, e os seus defeitos humanos que acredite são muitos.
O mais curioso é aprender sobre o vocalista da banda Joey Ramone, cujo o nome verdadeiro é Jeff. Ele sofria de problemas mentais, e com isso não conseguia se relacionar com o resto do mundo.
End Of The Century não está entre os melhores documentários já realizados, mas com certeza conta com a agressividade da banda e com isso vai no âmago da questão: os relacionamentos humanos e a falta de comunicação entre pessoas que passaram metade da vida junta estão entre os temas mais debatidos no filme. Os depoimentos de todos os integrantes (alguns baixistas e bateristas, os únicos sempre presente na banda são Joey e Johnny) referentes aos colegas de trabalhos sempre são dotados de palavras cruéis ou não bondosas.
Curiosidade: Depois que os Ramones terminaram, Joey vez um CD Intitulado "Don't worry about me" que só poderia ser lançado após sua morte. Isso só faz reforçar a imagem "cute" de Joey, que sempre foi considerado uma das pessoas mais bacanas do meio musical.
Joey Ramone : 1951-2001